05-07-2009

Alberto Vaz da Silva "herdeiro" de Roseline Crepy

Alberto Vaz da Silva, licenciado em direito, ex-advogado, 72 anos, com 4 filhos, exerceu advocacia durante mais de 30 anos e há mais de 40 que se interessa pela grafologia. Gosta de astronomia; fez uma viagem ao Hemisfério Sul para ver grupos de constelações. Disse que as constelações também são uma escrita e que gostava de decifrar essa escrita
Este grafólogo português aprofundou a grafologia junto de Rosaline Crepy que utilizava um método específico, baseado essencialmente no significado simbólico de cada letra (maiúscula ou minúscula), algarismo e outros sinais gráficos. Vaz da Silva considera que a escrita é fascinante porque serve de veículo às mensagens do inconsciente.
Durante 5 anos, Vaz da Silva contactou pessoalmente com Roseline, já com 89 anos. A paixão pela escrita tomou conta deste grafólogo, continuador da obra e do método da sua mestra. Depois do exame que aquela fez da sua escrita, sentiu-se psicanalisado e descobriu-se verdadeiramente a si próprio.
Com gabinete no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, organiza Cursos de Iniciação à Grafologia, orienta Workshops, disponibiliza sessões de grafoterapia, consultas individuais, pareceres a empresas (especialmente no apoio à selecção de pessoal).
Considera que nasceu para se libertar a si e libertar os outros. E um instrumento para tal libertação é a escrita. Vaz da Silva afirma que “todo o arcaboiço da grafologia é psicológico” e refere que há escritas que o deslumbram porque “são como minas de ouro”.

Evolução da velocidade escrita na idade escolar

Apresento, em primeira mão, uma súmula dos resultados da pesquisa sobre a velocidade da escrita desde o 1º ao 12º ano de escolaridade, que levei acabo ao longo dos três últimos anos. Realizei mais de 2000 testes a alunos desde os seis anos e meio de idade até aos dezoito, numa escola do Grande Porto, Portugal. Contabilizei quase 300 000 caracteres.
Através duma simples frase, que toda a população testada escrevia, repetidamente, numa folha A4, sem linhas, durante um minuto, consegui os dados estatísticos, simplificados no gráfico acima, que traduzem o desenvolvimento da habilidade motora do aluno, associada ao aspecto intelectivo.
Tudo partiu do meu interesse em conhecer o desempenho dos alunos a nível de velocidade da escrita, ao longo da sua escolaridade. Constatei que há uma evolução contínua: partindo de uma média de 50 letras por minuto no 1º ano, até atingir cerca de 180 no último.
Temos agora uma tabela, mesmo que provisoriamente aferida, serve para avaliar a rapidez ou a lentidão da escrita dos alunos portugueses. É mais um instrumento colocado à disposição dos próprios, dos pais e dos educadores para a detecção do insucesso e das suas causas. Se o aluno, dum ano para o outro, reduz a velocidade, em vez de aumentá-la, algo se passa com ele. Se os seus pares conseguem fazer 100 letras e ele apenas 50, há que reflectir sobre esse facto.
No gráfico constam, simultaneamente, as médias dos dois sexos, mas como verifiquei uma certa divergência de valores entre estes, dar-lhes-ei um tratamento diferenciado.
Uma exposição mais pormenorizada sobre o método adoptado e sobre as conclusões a retirar será objecto duma posterior divulgação em formato papel ou digital.

03-06-2009

Assinatura de Paulo Rangel

Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel, professor universitário e jurisconsulto, licenciado em direito, 41 anos, cabeça de lista pelo Partido Social Democrata às eleições para o Parlamento Europeu 2009, assina o cartaz publicitário onde está escrito Pelo interesse nacional eu assino por baixo.
O nome duma pessoa serve para distingui-la de outras. Em Portugal, normalmente, o nome é constituído por três ou quatro termos e Paulo Rangel tem oito, o que revela algum significado familiar.
Paulo Rangel assina, de modo bem legível, com o primeiro nome e com o último apelido. Outras três assinaturas, que pude verificar, feitas por ele, no Registo de Interesses da Assembleia da República, em 2005, são ilegíveis, todas diferentes, com mais ângulos e terminadas com um ponto. No cartaz, para os eleitores, Rangel tornou-se mais claro e sublinhou o apelido. Existe apenas um ângulo na primeira letra de Rangel. Predomina a ligação, apesar do P de Paulo estar bem separado. A inclinação é para a frente e num grau moderado. Apresenta bom espaço entre letras.
Paulo Rangel atribui igual importância à vida social e pessoal. Tem mais tendência para a síntese do que para a análise, não se perdendo com pormenores. Revela frontalidade, sem grande agressividade. Prefere uma certa distanciação, apesar da sua audácia e ambição.
Sincero e orgulhoso, prudente e desconfiado, tem desejo de reconhecimento e confiança em si próprio, sendo capaz de autocontrolar os seus próprios instintos.
Extroversão, generosidade e frontalidade são outros atributos que se juntam à sua grande ambição.
Observação
A comparação com outros textos e outras assinaturas, certamente, forneceria preciosos elementos para uma elaboração mais concreta e pormenorizada do perfil do candidato.
Porém, deixo aqui apenas um cheirinho algo generalizado da sua personalidade, mas com algumas conclusões interessantes.
Se a moda das assinaturas nos cartazes pegar, nestas ou nas próximas eleições, vou, com certeza, ter mais que fazer.

06-05-2009

Assinatura de Vital Moreira


José Maria Martins Vital Moreira, casado, dois filhos, 64 anos, doutor em Ciências Jurídico-Políticas, candidato independente e cabeça de lista às eleições europeias de 2009 pelo Partido Socialista Português.
A assinatura apresentada está a autenticar o slogan Nós, Europeus, num cartaz da campanha do Partido Socialista Português. No mesmo cartaz constam a fotografia do candidato e dois apelidos.
A assinatura não aparece inocentemente no cartaz e, mais ainda, por se tratar dum candidato que conhece muito bem o valor social e jurídico das assinaturas.
Os grafólogos das diferentes escolas são unânimes em reconhecer que a assinatura revela a realidade íntima, a auto-imagem, o eu ideal e as aspirações pessoais. Ou seja é a fotografia do escrevente, como este gosta de se ver e como deseja que o vejam.
Entre os aspectos gráficos da assinatura de Vital Moreira observadas sobressaem grinaldas e hiper-ligação aneladas na zona média, o t buclado, ausência de angulosidades e dos seus nomes próprios, horizontal, ligeira inclinação para a direita, gladiolada, ilegibilidade, espaçada entre letras,letra inicial maiúscula curva, desligada e aparatosa, traço sobre o nome e traço final acerado.
Psicologicamente, estes aspectos denotam um discurso lógico, orgulho familiar, importância dos contactos humanos, reserva, independência, aceitação do papel social, maturidade, flexibilidade, conciliação, gentileza, diplomacia, altruísmo, savoir faire e astúcia.

26-04-2009

Sinais de velocidade na escrita do Manuel

Os dois grupos de frases que o Manuel (criança com a idade de 8 anos e 9 meses) fez à velocidade normal e à velocidade máxima apresentam algumas diferenças.
Lembro que durante um minuto, à velocidade normal, o Manuel fez 72 letras e, durante um segundo minuto, à velocidade máxima, fez 85 letras. São 13 letras de diferença, o que não é nada pouco para uma criança do 3º ano de escolaridade.
Os grandes traços horizontais que aparecem na folha foram feitos pela criança e servem para separar as frases redigidas à velocidade normal ( as primeiras) das que foram escritas com a máxima rapidez (as segundas).
Abaixo, apresento dez características que diferenciam uma escrita da outra e que vão assinaladas com os algarismos correspondentes. Num adulto, provavelmente, apareceriam outros sinais de velocidade. A criança, ainda numa fase de aprendizagem da escrita, não possui as ferramentas necessárias para personalizar a sua escrita.


Assim, na escrita mais rápida destacam-se as seguintes características que não se observam na escrita menos rápida:
1. Apareceram mais anelamentos nas letras n e u;
2. Alguns ovais tornaram-se mais largos do que altos;
3. Certas letras da zonas superior e média ganharam maior angulosidade;
4. Surgiu um retoque no s da palavra são;
5.
A dimensão deixou ser tão uniforme;
6. A pinta do i alongou-se;
7. Os sinais de pontuação ganharam maior volume;
8. O til avançou um pouco para a direita;
9. A distância entre palavras aumentou;
10. As linhas de base ficaram mais espaçadas.

21-04-2009

A velocidade da escrita do Manuel

Manuel (nome fictício) tem actualmente 9 anos e 6 meses. Frequenta o 4º ano numa escola oficial, é destro, vive numa cidade do norte de Portugal com os pais e um irmão de dois anos e meio. De entre os alunos (cerca de 2 500) que fazem parte do meu estudo, no que respeita a velocidade da escrita, Manuel é aquele que sigo mais de perto. Desde o início da escolaridade obrigatória já lhe administrei uma dúzia de testes. O teste consiste numa frase, sempre igual, que, durante um minuto, é escrita o maior número de vezes possível.
Os oito exemplos aqui apresentados vão desde a fase inicial da aprendizagem, até ao momento presente.

1.º teste – 6 anos e 6 meses, 1.º ano
Comecei por lhe solicitar que escrevesse a frase As nossas palavras são como um cristal, que eu lhe registara antes no cimo duma folha A4, sem linhas. Num primeiro minuto, pedi-lhe, simplesmente, que escrevesse a frase com o lápis preto (instrumento que ele utiliza). Passados cinco minutos, solicitei que voltasse a escrevê-la o mais depressa possível e quando acabasse de copiar a frase voltasse a escrevê-la novamente até que eu o mandasse parar. O Manuel completou apenas uma frase, tal como aconteceu à velocidade normal, escrevendo de cada vez 32 letras.
São as letras que ainda funcionam como unidade gráfica e não a palavra. Elas apresentam-se isoladas, grandes e imprecisas, devido às dificuldades grafomotoras. O espaço, a direcção e a forma das letras e das palavras apresentam irregularidades.
2.º teste ­– 7 anos e 2 meses, 2.º ano


Escolheu uma esferográfica azul. A escrita tornou-se mais pequena, a ligação entre letras melhorou e verificaram-se já menos torções e maior flexibilidade no traçado. A rapidez aumentou consideravelmente. O maior salto deu-se na transição do 1.º para o 2.º ano. Conseguiu fazer 60 letras. O Manuel tem agora um irmãozinho com três meses.
3.º teste – 7 anos e 6 meses 2.º ano


Voltou a escolher a esferográfica azul. Aparecem formas angulares, ligações imprecisas e linha descendente. O Manuel, depois de ter feito o teste à velocidade normal (administro sempre este tipo de teste como termo de comparação), no teste de velocidade, devido à preocupação, aumentou o tamanho das letras. O resultado foi ter conseguido fazer apenas 66 letras. À velocidade normal fizera 65.
4.º teste – 7anos e 11 meses 2.º ano

Desta vez escolheu o lápis preto. Nota-se uma tentativa de personalização nas ligações, especialmente na ligação do c ao r, na palavra cristal. Além do teste à velocidade normal, realizou mais dois testes à velocidade máxima, intervalados de 5 minutos. No primeiro teste mais veloz fez 71 letras e no segundo, 73. Estes números demonstram uma certa constância e objectividade dos resultados conseguidos neste género da escrita.
5.º teste – 8 anos e 2 meses, 3.º ano


Escreve com esferográfica azul. A pressão é mais leve do que costuma ser. As pernas do p são bastante curtas. A professora queixa-se à mãe do Manuel dizendo que o seu filho causa alguma instabilidade na turma e que não está a desenvolver totalmente as suas capacidades. De qualquer modo subiu a parada para 83 letras.
6.º teste – 8 anos e 9 meses, 3.º ano
Escreve com esferográfica azul. As linhas apresentam ondulações e a haste do l perdeu a curvatura e tornou-se angular. Nestes últimos sete meses foi quando se verificou o menor crescimento: conseguiu fazer 85 letras.
7.º teste – 9 anos e 2 meses, 4.º ano

Na escrita à velocidade normal quis escrever com lápis e à velocidade máxima escreveu com esferográfica azul. As letras estão muito juntas e as hastes inclinam-se para a esquerda. O Manuel consegue escrever a frase inteira em apenas 2/3 da linha imaginária. No início da aprendizagem a frase mal cabia na linha. Fez exactamente 100 letras.
8.º teste – 9 anos e 6 meses, 4-º ano


Escreveu com esferográfica preta. Estava ainda no rescaldo duma gripe. A mãe diz que o filho tem medo de errar na escola e em casa, apesar de muitas vezes saber as respostas. As hastes mantêm-se inclinadas para trás. Desta vez conseguiu o recorde de 108 letras por minuto.
Para sabermos se a velocidade da escrita desta criança se situa na média, abaixo ou acima da média seria necessário comparar os dados com uma tabela aferida para a população portuguesa.

Pode concluir-se que

  • Uma velocidade equilibrada será sinal de desenvoltura, inteligência e boa capacidade de comunicação, características reveladas por este aluno.

  • Este género da escrita (a velocidade) torna-se, com certeza, mais uma peça do puzzle para reconstituir a multifacetada personalidade humana.

02-04-2009

Letra de médico

Recorte duma receita oficial do Ministério da Saúde
Quem decifra esta escrita? Porquê tamanha ilegibilidade?
Pressa em despachar o cliente/doente? Secretismo ritualista profissional?
O farmacêutico que aviou esta receita - com largos anos de experiência e familiarizado com a expressão gráfica deste clínico -, em vez de se dirigir, de imediato, à prateleira buscar o produto receitado, perguntou ao doente para que servia o medicamento, a fim de descobrir o que o médico lhe teria prescrito. Quando o famacêutico soube que os comprimidos eram para ser tomados um por semana, lá conseguiu aviar receita. Mas o cliente interrogou-se, interiormente, a si próprio: "E se o farmacêutico não quisesse fazer figura de ignorante e se metesse a adivinhar"?
Em casos, como este, de "disgrafia", seria melhor utilizar caracteres tipográficos.
Felizmente, situações como esta, hoje em dia, são cada vez mais raras, especialmente, entre os elementos mais jovens da classe médica.