06/04/12

Assinaturas

Centenas de internautas manifestaram descontentamento com as próprias assinatura e rúbrica, tendo-me abordado para que lhes sugira uma assinatura, supostamente, mais apropriada ao seu estatuto socioprofissional. Disse, intencionalmente, “supostamente”, porque não existem assinaturas feias ou bonitas.

Assinaturas de Hitler da Enciclopédia digital da II G. Mundial

A assinatura é a foto tipo passe do nosso Cartão de Cidadão, é um carimbo pessoal. Alterando a fotografia ou o carimbo, retiramos autenticidade a um documento.
A motricidade fina é individualizada e individualizante. Os movimentos gráficos contrários à tendência de cada indivíduo tornam-se artificiais e não se coadunam com a autenticidade. A modificação da assinatura surge, naturalmente, com a evolução da personalidade.
A assinatura, por outro lado, está muito relacionada com a restante escrita. As caraterísticas que se verificam na assinatura estão também patentes no texto, porque o autor é o mesmo.
Uma pessoa ambiciosa, que se autoconsidera superior aos outros, exibirá uma assinatura com maiores dimensões ou com elementos desnecessários.
Uma pessoa que se despreza a si própria ou que se culpabiliza, com ou sem razão, dará menos relevo à própria assinatura e pode cortá-la.
Uma assinatura clara, legível, proporcionada, com pressão firme e ajustada ao texto será sinal de uma autoimagem adequada.
O grafólogo não deve substituir o assinante. Pode é dar-lhe uma parecer sobre a sua assinatura, sobre o que ela representa, sobre o tipo de assinatura mais difícil de falsificar.
Caro internauta, vale mais uma peça de roupa que nos assente bem do que uma luxuosa que não nos sirva.
Transcrição de alguns pedidos que me foram feitos:
“Até hoje, quase 30 anos não consegui fazer uma assinatura e nem rubrica, e isso me incomoda sempre tenho que assinar documentos e fico com aquela cara escrevendo meu nome rss, poderia me ajudar?”
poderiam me enviar algum modelo de rubrica para o meu nome ou me indicar onde eu poderia encontrar alguém que fizesse esse tipo de serviço.”
“por gentileza poderia me ajudar a criar uma rubrica? Não tenho muita criatividade.
Meu nome completo é… :”
“sou medica e tenho mt dificuldade pra criar uma q seja rápida de escrever! “
“Meu nome é … e tenho certas dúvidas quanto a assinatura, a realidade é que, como advogado preciso ter uma rubrica onde somente EU tenha a certeza que estive naquele local e assinei o papel.”
“Sou advogado e gostaria que o senhor por ter mais experiência nesse ramo, me ajudasse.”
Gostaria que o Sr. me enviasse alguns modelos de possiveis rubricas para que eu possa me identificar nas assinaturas de minhas documentações”


01/03/12

Automatismos grafomotores e instrumentos da escrita

É comum uma pessoa habituar-se a escrever com determinado instrumento. Também, neste campo, o homem é animal de hábitos. Os automatismos grafomotores de cada sujeito adaptam-no a determinado tipo de instrumento. Quando descobre que certo instrumento se torna mais cómodo e lhe permite escrever com maior velocidade, o escrevente faz a sua opção. Conheço escreventes que apenas se sentem bem a escrever com caneta de tinta permanente e nunca adoptaram (e nunca se adaptaram) à vulgarizada esferográfica. Por outro lado, existem outros escreventes que sentem necessidade de ir mudando de instrumento da escrita, porque a evolução ou alteração da sua personalidade ao longo do tempo, especialmente na fase do desenvolvimento, a isso os conduz. A escolha não se dá ao acaso, nem é devida a um simples capricho. Por trás de cada opção, existem “motivos” ignorados pelo próprio escrevente.
Há crianças que, por sua iniciativa, abandonam o lápis, muito mais cedo do que outras, porque se sentem mais seguras no traçado e querem deixar uma marca mais duradoura no seu grafismo.
Nestes casos, o professor costuma acompanhar a evolução dos seus alunos, observando a distância dos dedos – polegar, indicador e médio – em relação ao papel, a espessura do utensílio e modo como este é segurado entre os dedos, tendo em consideração as melhores condições ergonómicas.
Uma esferográfica demasiado pesada, por exemplo, prejudica a qualidade da escrita e exige um esforço desnecessário à criança nos movimentos grafoescriturais.
As posições pedagógicas do docente e as vivências socioculturais da criança constituem factores predominantes para uma boa aprendizagem do manuseamento do instrumento da escrita mais apropriado e para o correspondente desenvolvimento de competências linguísticas. Pois, a gestualidade do ato gráfico não é uma propriedade inata ou básica, como são a alimentação ou a higiene pessoal, mas uma capacidade treinada que pressupõe a aquisição topológica do esquema corporal.

11/02/12

A pressão e os instrumentos de escrita

Todos os utensílios de escrita exigem maior ou menor pressão para traçar as letras. A escolha dum marcador ou duma caneta de feltro deixa um traçado espesso, sem necessitar de grande pressão.

Uma escrita pastosa pode significar sensualidade, calor vital, capacidade artística ou impressionista. A este propósito, M. Pulver afirma “É o espírito que cria o instrumento e não o instrumento que cria o espírito” (O Simbolismo da Escrita). E acrescenta ainda “A pressão gráfica é, pois, proporcional à necessidade de manifestar a sua força”.
A caneta de tinta permite um melhor registo da sensibilidade do escrevente do que a esferográfica, fazendo sobressair mais a diferença de espessura entre os traços ascendentes e os descendentes.
Há quem prefira continuar a usar a caneta em vez da esferográfica por ser mais sensível. Assim, a pressão forte ou fraca terá sempre um significado diferente. Não será por acaso que dado escrevente investe na pressão forte, apesar de “saber” que esta retarda os movimentos da escrita.
Uma menor pressão costuma corresponder a um maior altruísmo. E uma maior pressão pode significar maior sensualidade, maior força emocional, uma libido forte e resistência ao cansaço. Gastar mais energia para realizar o mesmo trabalho é uma opção consciente/inconsciente do escrevente. E para conseguir essa maior ou menor pressão escolhe o instrumento mais apropriado.
As crianças aprendem a escrever, normalmente, com o lápis, por ser mais versátil que os outros instrumentos de escrita e económico, aguentando a irregularidade de pressão imprimida e possibilitando apagar os erros cometidos.
Há pessoas que precisam de sentir o papel. Aquelas que gostam mais de escrever com lápis do que com esferográfica, é porque precisam de sentir o seu atrito. Por analogia, pode dizer-se que as pessoas que estão sempre a participar ou a reclamar gostam de provocar atrito indirecto. Quem deixa um baixo-relevo acentuado no verso da folha, apertará fortemente a sua mão, quando o cumprimentar.
É pela pressão que se reconhece a tridimensionalidade da escrita. Uma maior pressão corresponderá a um sulco mais profundo deixado na folha.
Quando se faz uma análise da escrita, seja para fins periciais ou  grafopsicológicos, é sempre importante identificar o instrumento utilizado e as suas caraterísticas.
 Poderíamos interrogar-nos por que determinado escrevente opta por certo instrumento e não por outro. A opção pode já ser reveladora de certas tendências do escrevente. Quem gosta de marcar terreno preferirá, certamente, um instrumento que deixe um traço mais grosso.
Deve, porém, ter-se presente que um indivíduo  prefira este ou aquele instrumento em detrimento de outros, apenas por uma questão de hábito.

07/01/12

Instrumentos da escrita manual

. Um pouco de história

A escrita é uma das mais importantes descobertas do homem. No entanto, para a realizar são necessários, além do suporte, instrumentos apropriados.
Na escrita cuneiforme dos babilónicos eram utilizados pedaços pontiagudos de madeira ou ossos para marcar, permanentemente, os carateres nos blocos de argila. E os egípcios usavam materiais idênticos, que molhavam em tinta, para escreverem sobre o papiro.

Durante mais de um milénio, a pena tornou-se o principal utensílio da escrita. No século VI, Santo Isidoro de Sevilha já se refere à preferência por penas de ganso, de cisne e de pato, que eram preferidas em detrimento das de outras aves por causa da espessura da cânula. As penas eram afiadas em bisel e ligeiramente perfuradas para que a tinta saísse compassadamente.

Nas idades média e moderna, a pena torna-se símbolo de cultura e distinção inteletual. Retratos de pessoas ilustres aparecem com a pena na mão.

As canetas de pena eram ainda usadas em pleno século XVIII e com elas foi escrita e assinada a Constituição dos Estados Unidos.

No século XVIII, surgem novos instrumentos como o lápis e a caneta de aparo que também tinha a designação de “pena”.

A caneta é formada por uma haste em madeira ou metal, com um acessório metálico na ponta para encaixar aparos de diferentes modelos e espessuras, aparecendo alguns com reservatório de tinta.

Com o desenvolvimento, no século XVIII, em Inglaterra, da caneta de tinta permanente, com reservatório próprio, não deixou de ser necessário estar frequentemente a molhar a caneta na tinta.

No século XVI, aparece na Grâ-Bretanha, o primeiro registo do uso de grafite nas minas dos lápis. O lápis é outro instrumento consiste num estilete de grafite sob a forma de vareta que se introduz numa tira de madeira perfurada. A grafite é um material de cor negra e com fraca dureza. Com a junção de elementos corantes, fabricam-se lápis de cor. Em 1936, foi fundada em Portugal, a fábrica de lápis “Viarco”. Os lápis têm, normalmente, forma hexagonal para não rodarem.

Em 1822, John Isaac Hawkins e Sampson Mordan inventam a lapiseira, substituindo-se a madeira por metal. Com base num mecanismo de alimentação e duma mola, as minas são empurradas para a superfície, quando se pretende escrever.

Ulteriormente, surgem novos tipos de lapiseiras, com um calibre mais fino, que não necessitam de ser afiadas.

Em 1943, o jornalista húngaro László Biró patenteou a caneta esferográfica. A patente foi comprada pelo barão francês Marcel Bich, cuja firma BIC lidera o mercado mundial de esferográficas. A esferográfica  é um tipo de caneta em que a tinta humedece uma esfera rolante que desliza sobre a superfície do papel.


23/12/11

Grafologia e Logotipos

Um logotipo é como uma assinatura institucional, é uma forma de grafar uma marca.
O logotipo da Molaflex, por exemplo, contém a letra “m” minúscula manual engrandecida. Trata-se de autêntica mola na horizontal. Se a rodarmos 90º para a direita ou para a esquerda, transforma-se numa mola helicoidal.

É apenas a título de exemplo, sem qualquer intuito publicitário, que faço esta curta análise, com base numa fotografia que tirei a um estabelecimento junto ao Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Esta empresa preza-se por apresentar colchões com uma base firme e confortável que permita um “descanso reparador e revitalizante”.
Nesta análise pretende-se verificar até que ponto o logotipo adotado pela empresa reflete as caraterísticas que, supostamente, o produto deveria conter – flexibilidade, elasticidade e firmeza.  

Para conseguir este objetivo, nada melhor do que analisá-lo à luz dos principais parâmetros da grafologia: forma, dimensão, pressão, velocidade, direção, inclinação, continuidade e cor.

A forma da letra é arredonda, o que implica flexibilidade, suavidade, tranquilidade, boa adaptação ao meio, calor,  "necessidade de sonho"  e delicadeza. O predomino de ângulos ou de arcadas, pelo contrário, sugeriria rigidez, inflexibilidade, conflitualidade ou frieza

Quando à dimensão, a 1ª perna do “m” é mais maior que as outras duas, sugerindo auto-estima elevada, confiança e orgulho: fatores essenciais a qualquer marca comercial que se queira implantar no mercado.

A pressão é firme, sinal de energia, de autenticidade, de segurança em si mesmo, mas como se apresenta deslocada ou invertida pode ter uma conotação negativa, sendo sinónimo de insegurança ou de rebeldia.

A velocidade é lenta, porém, num contexto positivo, significa ordem e autocontrolo.

A direção surtiria mais efeito se a linha de base fosse horizontal ou ascendente; sendo ligeiramente descendente, pode implicar falta de energia e fadiga.

A inclinação pouco pronunciada para a direita é indício de acolhimento.

A continuidade apresenta-se sem fragmentações, partindo da zona inferior (do concreto) e terminando na zona superior (do ideal). 

A cor branca sugere perfeição e silêncio, contrasta com um fundo vermelho que exprime agressividade. A cor azul, apesar de ser uma cor fria, seria uma boa opção, porque está associada ao bem-estar e tranquilidade, caraterísticas que são também apanágio dos colchões Molaflex.

Conclui-se que, de modo geral, este logotipo, consciente ou inconscientemente, reflete a imagem que a empresa pretende fazer passar.

19/12/11

Velocidade da escrita versus velocidade da leitura (continuação)


Interpretação e ilustração dos resultados


Distribui os indivíduos por quatro escalões, de acordo com os resultados alcançados aquando da realização dos testes de velocidade de escrita:

·       o 1º escalão é formado  pelos indivíduos que fizeram entre 81 e 100  letras por minuto;

·       o 2º escalão é formado pelos indivíduos que fizeram entre 101 e 120 letras por minuto;

·       o 3º escalão é formado pelos indivíduos que fizeram entre 121 e 140 letras por minuto;

·       o 4º escalão é formado pelos indivíduos que fizeram entre 141 e 160 letras por minuto.



Os escalões da velocidade de leitura são encontrados em correspondência com os da velocidade da escrita. Por exemplo: a quantidade de sílabas lidas por cada indivíduo que escreveu entre 81 e 100 letras por minuto é colocada no 1º escalão da velocidade de escrita; a quantidade de sílabas lidas por cada indivíduo que escreveu entre 101 e 120 letras por minuto é colocada no 2º escalão da velocidade de escrita; e assim sucessivamente.

Se, no final, se verificar que a média das sílabas lidas por minuto aumenta gradual e proporcionalmente à média das letras escritas por minuto, pode deduzir-se que existe uma correlação evolutiva entre a escrita e a leitura.

Figura A – Quadro comparativo da velocidade da escrita e da leitura



No quadro da Figura A, podemos ver a quantidade de letras escritas por minuto, os respetivos escalões e a correspondente quantidade de sílabas lidas.

No final de cada coluna, observamos as médias alcançadas por cada escalão: as médias da escrita estão a cor preta e as médias da leitura estão a cor vermelha.

Em relação à media geral da escrita e da leitura, os indivíduos testados são capazes de ler, praticamente, duas vezes mais sílabas do que de escrever  letras.  Por minuto, conseguiram fazer uma média de 127,8 letras e ler 253,2 sílabas.

Um aluno não quis ler, dando a justificação que lia muito devagar, o que, de facto, correspondia à verdade. Depois, confirmei que este indivíduo, também na escrita, fizera apenas 64 letras por minuto, número bastante abaixo da média.

Entre os 57 indivíduos estudados, houve, apenas, um que fez 168 letras por minuto e leu 314 sílabas. Um único caso não faz regra nem justifica a criação dum 5º escalão, mas serve para confirmar a dependência e relação entre o desenvolvimento da velocidade da escrita e da velocidade da leitura.

Observei, também, o sucesso escolar dos alunos e verifiquei que os bons resultados a Português correspondiam a maior velocidade de leitura.

 Um aluno, que confessara ter lido muitos livros, encontrava-se no 2º escalão de escrita, mas lia tão depressa como os colegas que se encontravam no 4º escalão de leitura.

30/11/11

Velocidade da escrita versus velocidade da leitura

Premissas
A criança começa por reconhecer algumas palavras, utilizando a configuração total e, mais tarde, passa a interiorizar e a utilizar a correspondência grafema-fonema.
A aprendizagem da leitura pressupõe o conhecimento das regras da linguagem escrita.
Aprender a ler a e a escrever é fundamental para compreender e interpretar o ambiente que a rodeia e o mundo em que vive.
A observação, da maneira como a criança escreve e lê, pode ajudá-la a desenvolver-se ou a superar determinadas dificuldades.
Todas as atividades escolares pressupõem o domínio da linguagem oral e escrita.
A criança, ao estabelecer uma conexão entre as palavras impressas e as atividades de escrita e de leitura (associando os sons às palavras), busca a construção dum todo.
A aprendizagem da escrita e da leitura constitui um processo mútuo, contínuo e dinâmico.

Método e aplicação do teste
Quando da realização dos testes da velocidade da escrita, junto dos alunos do 2º ciclo, intuí que aquela poderia estar relacionada com a velocidade da leitura, pois, tinha conhecimento da existência de discentes que eram muito mais lentos que outros a ler e escrever.
Para confirmar estas minhas suposições, aproveitei duas aulas de Estudo Acompanhado, quando estas estavam a ser lecionadas por dois professores.
Em quatro turmas – duas turmas do 5º ano e duas do 6º ano –, abrangendo um total de 57 indivíduos, fiz testes individuais de leitura, com aqueles que já tinham realizado o teste de velocidade da escrita.
Selecionei um texto com uma mensagem compreensível, agradável e adaptada ao nível etário dos alunos testados. A escolha recaiu sobre o livro “O principezinho” (1ª página do capítulo VIII).
Para mais fácil contabilização das sílabas lidas por cada indivíduo, tomei nota da quantidade de linhas do texto e da quantidade de sílabas por que era constituída cada linha.
Baseei este teste na leitura de sílabas e não de letras por aquelas constituírem a unidade mais pequena de pronúncia. A opção por palavras seria menos significativa porque os vocábulos são de dimensões muito diferentes.
A leitura começava no início do texto, pronunciando todas as sílabas e respeitando as pausas correspondentes aos vários sinais de pontuação.
Durante um minuto, cada aluno lia, em voz baixa, o mesmo texto, de modo que os colegas não ouvissem e não se familiarizassem com a história, nem com os termos empregados pelo autor.
Cronometrado um minuto de leitura rápida, eu anotava a última palavra lida por cada sujeito testado.
O gráfico mostra  a evolução e a correspondência entre a  velocidade da escrita e a velocidade da leitura.

Após a realização dos testes, fiz o tratamento dos dados recolhidos. 

(A interpretação dos resultados será divulgada no próximo artigo)